XII Memorial Fernando de Almeida Vasconcellos
19 a 29 de maio de 2008

Bolsa de Premiação de R$1.000,00!
1º R$500, 2º R$200, 3º R$150, 4º R$100 e 5º R$50
É uma singela homenagem feita ao Mestre 

pela viúva e filhos; e o palco é o Brasília Clube de Xadrez!

Despediu-se da vida terrena, em novembro de 1996, em Brasília, onde residia há mais de 20 anos, o Mestre Nacional de Xadrez Fernando de Almeida Vasconcellos. Sua ausência será muito sentida no vasto círculo de amizades que cultivou ao longo de sua carreira enxadrística, iniciada na cidade do Rio de Janeiro, no início da década de 40 do século passado. Vasconcellos destacava-se por seu amor ao xadrez, qualidade que dizia fundamental para qualquer aficionado que aspire à prática magistral e aduzia que um dos segredos de Mikail Tal era justamente o fato de amar intensamente o xadrez. Em mais de cinqüenta anos de prática enxadrística, a começar na cidade do Rio de Janeiro, passando por Juiz de Fora e finalmente em Brasília, Distrito Federal, Vasconcellos colecionou um rosário de conquistas, enumeradas na sua biografia abaixo, sendo temido por seus parceiros pelo jogo inventivo, sempre renovado que buscava apresentar. Em sua melhor época, chegou a ser um participante ativo de finais de campeonatos brasileiros; foi componente da equipe nacional na Olimpíada de Helskinki, 1952. Habilidoso na psicologia do xadrez, Vasconcellos empreendeu vários estudos no campo subjetivo da luta enxadrística. Entre esses, lembramos a original Teoria dos Lances Coloridos. Associando vários tipos de lances e posições às cores prismáticas, Vasconcellos procurava distinguir diferentes condutas conforme o perfil psicológico de cada jogador. Por exemplo, numa posição tranqüila e contra um adversário conservador à la Petrossian, amante dos lances calmos e posicionais (azuis), valeria estudar uma possbilidade para executar um lance agudo e complicador de posição (vermelho). Para Vasconcellos, os lances decisivos numa partida seriam sempre aqueles a provocarem um desequilíbrio qualquer que fosse sua natureza, ofensiva ou defensiva. Vasconcellos também afirmava sobre a importância do estudo dos signos e das características comportamentais dos oponentes, e insistia no estudo dos contrários; "qualquer enxadrista que queira progredir em sua arte deve estudar também as partidas de mestres que apresentem um estilo diametralmente oposto ao que pratica" - recomendava. O mestre brasileiro, em sua originalidade, também dedicava-se ao estudo da consulta oracular, considerando que ao longo de uma competição o enxadrista experimenta várias sensações e humores. A consulta oracular serviria para alertar o enxadrista sobre seu verdadeiro estado psíquico antes de cada rodada, definindo-se a partir daí a abertura e a conduta a serem adotadas. Vasconcellos deixa publicados dois valiosos trabalhos: "Teoria e Prática do Gambito Budapeste" (Juiz de Fora/1966), obra bastante aclamada no âmbito da teoria, e o recente "Apontamentos para uma História do Xadrez" Brasília/1991). Pessoa sempre amável e cordial, sobretudo apaixonada pelo xadrez, o Mestre Vasconcellos deixa saudades entre os muitos amigos e parceiros que soube cativar.

Lance Revista Brasileira de Xadrez 1996 - ano 2 nº 15 , coluna relance assinada por José Carlos Gonçalves Vieira
Cada partida é um desafio criativo
David Bronstein
Um repertório variado e um pouco inesperado é um trunfo na luta enxadrística
Bent Larsen
A tensão central de peões
é a alma da luta na abertura
Bogoljubov
A combinação é o meio adequado para demonstrar a superioridade estratégica de uma posição
Aron Nimzowitsch
Os motivos pra uma combinação podem surgir de um jogo consistente ou de uma súbita falha ou inexatidão do adversário, mas a combinação é sempre lógica
Igor Bondarevsky
A combinação é a essência do xadrez
Reuben Fine
A análise é o meio qe o jogador de xadrez dispõe para encontrar o melhor lance de cada posição
Gideon Stahlberg
Cuidado com os lances anódinos
Eugênio German
Embora a intuição e o cálculo sejam muito importantes, penso que a objetividade é a coisa mais importante para o enxadrista
Victor Korchnoi
Tudo afinal é muito simples, mas é necess'rio vê-lo no tabuleiro
Kurt Richter
A estratégia é o fio condutor, mas o motor da partida é a análise
Walter Oswaldo Cruz
Os sacrifícios tem uma finalide simples: aumentar a efetividade das outras peças
Rudolph Spielmann
Atacar é fazer sacrifícios
e criar combinações
Mikhail Tal
O valor de cada peça depende da posição como um todo
Mikhail Chigorin
O critério de força rel é uma funda penetração nos segredos da posição
Tigran Petrossian
Tática é saber o que fazer quando há o que fazer; estratégia é saber o que fazer quando não o que fazer
Tartakoweri
Após o meio jogo, os deuses colocaram o final
Pal Benko
Só a iniciativa leva à vitória; ter iniciativa é ter certa superioridade
  Capablanca
O xadrez é a arte que ilustra a beleza da lógica
Botvinnik
Xadrez é imaginação
Bronstein
A arte do xadrez consiste em encontrar a linha ganhadora
Reuben Fine
O xadrez é basicamente uma luta; o oponente tem de ser vencido e isso é o que tenho em mira, praticamente em todas as partidas
Anatole Karpov
A criatividade, a imaginação e a intuição, nas quais baseio meu jogo, são indispensáveis, assim como o caráter firme: o triunfo vem somente na luta
Garry Kasparov
Fernando de Almeida Vasconcellos  nasceu no Rio de Janeiroem 29 de dezembro de 1919.
Apaixonou-se pela  prática do jogo e teoria de xadrez em 1941.

Venceu os Campeonatos de 3a. e 2a. Turmas do Clube de Xadrez do Rio de Janeiro, em 1943. 
Ganhou o Campeonato de 1a.Turma e ascendeu à Turma de Mestres do CXRJ, em 1947.
Representou o Brasil, em 1951, no I Zonal Sul  Americano, em Mar del Plata.
Participou dos Torneios Internacionais do Rio de Janeiro de 1952 e 1953.
Integrou a equipe do Brasil nas Olimpíadas Mundiais de Xadrez de 1952, na Finlândia.
Foi campeão de Seleções Estaduais pelo Rio de Janeiro em 1953, em Curitiba.
Participou dos Campeonatos Brasileiros realizados entre 1948 e 1985.
Foi vice campeão carioca  em 1953.
Sagrou-se campeão InterClubes do Rio de Janeiro em 1954 e campeão do Olímpico Clube em 1959.
Foi laureado com o prêmio Arthur  Napoleão-CBX, por sua vitória sobre C.H. Maderna.
Recebeu o título de Mestre Brasileiro de Xadrez da CBX em 1960.
Venceu o Torneio Nacional de Juiz de Fora em 1965. Foi Campeão de Juiz de Fora, em 1966 e 1967.
Já radicado em Brasília, foi campeão da cidade em 1977.
Na década de 80  foi  várias vezes Campeão Interno da AIB , em Brasília.
Venceu o Torneio Aberto de Campo Grande em 1986.
Foi campeão Brasileiro Veterano em Curitiba;

vencedor do  Torneio  General Joseph Nunes Ribeiro; e  campeão Veterano do Aberto Brasileiro em Brasília, em 1989.
Foi redator da coluna "Xadrez" do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, de 1952 a  1954.
Foi Diretor Técnico da revista Xadrez Carioca, em 1952 e 1953.
Estudioso, enxadrista, autor da conhecida obra "Teoria e Prática do Gambito Budapeste". 
Em 1991 editou o livro "Apontamentos Para Uma História do Xadrez & 125 Partidas Brilhantes" com apontamentos sobre a arte de caissa que cobrem um período que vai de cerca de 1450 a  1991, abordando episódios de relevo histórico com detalhamentos dos eventos maiores  e registros dos campeões em quadros e relações de fácil  consulta. Além disso fez pesquisas sobre  as implicações que os signos teriam no estilo dos jogadores de xadrez. Na sua concepção, o estilo do jogador depende do seu signo e a cada signo corresponde uma cor de lance. Exemplificando, a teoria, o jogador do signo de gêmeos é o autor do lance de cor cinza-claro, que têm como escopo principal agir no sentido de se prevenir de todas as ameaças; suas peças estariam sempre preocupadas com a perfeita harmonia defensiva. O jogador aquariano, por exemplo, é  o autor do lance de cor lilás, que à primeira vista parece ser um lance tático, mas na verdade trata-se de um lance, eminentemente, posicional.

O Mestre faleceu em Brasília em novembro de 1996.










Position after:

(1) Gadia,O - Vasconcellos,F [A09]
Campeonato Brasileiro 1965.??.??, 1965

1.Nf3 d5 2.g3 c5 3.Bg2 Nc6 4.d3 e5 5.c4 d4 6.0-0 Be7 7.Na3 Bg4 8.Re1 Qd7 9.Nc2 h5 10.e3 0-0-0 11.exd4 exd4 12.a3 h4 13.b4 hxg3 14.fxg3 f6 15.bxc5 Qf5 16.Nb4 Ne5 17.Bf4 Rxh2 18.Bxe5 Rxg2+ 19.Kxg2 fxe5 20.Ra2 Bg5 21.Nd5 Ne7 22.Rxe5 Bxf3+ 23.Qxf3 Qxe5 24.Re2 Be3 25.Nxe3 dxe3 26.Rxe3 Qxc5 27.d4 Rxd4 28.Qf8+ Kd7 Uma partida brilhante de Fernando Vasconcellos contra Olicio Gadia, que foi campeao brasileiro em 1959 e 1962 0-1












Position after:

(2) Costa,H - Vasconcellos,F [A53]
Campeonato Mineiro, 1968

1.d4 Nf6 2.Nf3 d6 3.c4 e5 4.dxe5 Ne4 5.Nbd2 Bf5 6.Nxe4 Bxe4 7.Ng5 Bc6 8.e6 fxe6 9.Nxe6 Qe7 10.Nd4 g6 11.h4 Bg7 12.Bg5 Qf7 13.e3 0-0 14.Qd2 Nd7 15.h5 Ne5 16.Rh4 gxh5 17.f3 Qg6 18.Bf4 Rae8 19.e4 Qf7 20.Rc1 Ng6 21.Bg5 Nxh4 22.Bxh4 Bxd4 23.Qxd4 Qf4 Uma partida invulgar pela originalidade da abertura com a qual as pretas obtiveram duradoura iniciativa e brilhante vitoria, a base de continuas ameacas. 0-1












Position after:

(3) Moderna,C - Vasconcellos,F [E11]
Zonal Sul Americano - Mar del Plata, 1951

1.d4 Nf6 2.c4 e6 3.Nf3 Bb4+ 4.Bd2 Qe7 5.g3 Nc6 6.Bg2 Bxd2+ 7.Nbxd2 0-0 8.0-0 d6 9.e4 e5 10.d5 Nd8 11.Ne1 Ne8 12.Nd3 f5 13.b4 g5 14.c5 f4 15.f3 h5 16.Qb3 Nf7 17.Rac1 Nh8 18.Rf2 Ng6 19.Nf1 Qh7 20.Rfc2 Bd7 21.c6 Bc8 22.cxb7 Bxb7 23.Nf2 Bc8 24.Bh3 g4 25.fxg4 h4 26.Bg2 Rf7 27.gxf4 Nxf4 28.h3 Nf6 29.Bf3 Rg7 30.Ne3 N6h5 31.Nf5 Bxf5 32.exf5 Ng3 33.Kh2 Rf8 34.Ne4 Rxf5 35.Qe3 Rf8 36.b5 Kh8 37.a4 Nxd5 38.Qb3 Nf4 39.Qe3 d5 40.Nd2 e4 41.Bg2 Nfe2 42.Rc6 d4 43.Qa3 Rf2 44.Nf3 Rf7 45.Ng5 e3 46.Rg1 Nxg1 47.Qb4 N1e2 A CBX premiou esta partida com o Premio Arthur Napoleao, conferido aenxadristas nacionais por destacadas vitorias internacionais. Carlos Hugo Moderna era o campeao argentino. 0-1



All games on this page as PGN here

Generated with ChessBase 7.0